
Artista plástico, arquiteto, mestre em desenho urbano e poeta expõe até dezembro na Bahia
Caixa Cultural
A mostra traz trabalhos elaborados dentro de princípios e critérios que vêm direcionando a produção do artista, por mais de três décadas. O importante é mostrar, mesmo de forma abreviada, o percurso do artista, um trabalho de certa forma à parte, hoje do que se chama "arte contemporânea". A coerência e o rigor do artista em lidar com diferentes suportes, incluindo a palavra (poesia), fazem de Almandrade, um pensador que utiliza diferentes suportes para produzir reflexões. A proposta artística de Almandrade convida o espectador a pensar sobre a própria natureza da arte. Depois da passar pelo concretismo e arte conceitual nos anos 70, seu trabalho prossegue na busca de uma linguagem singular, limpa, com um vocabulário gráfico sintético.
Aparentemente frias, suas construções estéticas impressionam pela originalidade e pela leveza de suas concepções, marcadas pelo exercício de um saber ao lidar com formas, cores, a matéria e o conceito. Provocam emoções variadas conforme o ponto de vista do observador. Que ninguém duvide: a economia de elementos e de dados não é um acaso. Configura uma opção estética, inteiramente coerente com a tendência a síntese, ao traço essencial, ao quase vestígio. Um nada, cuja gênese reside na totalidade absoluta. Assim também é a sua poesia. Apesar de percorrer o figurativo no início da carreira, fincou sua identidade pautada na arte conceitual, nos concretistas, neo-concretistas e minimalistas. Sempre os poucos elementos e o aspecto enxuto que vai direto ao ponto vão imperar em suas criações. "As minhas pinturas e esculturas são pensadas e executadas dentro de um mesmo princípio. A realização de uma única coisa ou criar, com o mínimo, um mundo" comenta em seu último livro "Escritos Sobre Arte":arte, cidade e política cultural, lançado pela editora Cispoesia.
Almandrade, provavelmente por influência de sua formação em arquitetura, demonstra preocupação com a articulação entre objeto, espaço e cidade. Constrói seu imaginário criando objetos e situações que dialogam com a cidade, posto que é seu avesso deslocado no tempo e espaço. Sua racionalidade contrasta com a desordem, o caos, o excesso de informações e os modismos de uma sociedade saturada de tudo. Sua assepsia contrasta com as imagens da sociedade midiática e se distancia da colorida e construída baianidade. No mínimo um artista singular e constantemente inovador no cenário cultural da cidade de Salvador. Almandrade é o nome artístico de Antonio Luiz M. Andrade, artista plástico, poeta, professor de teoria da arte e arquiteto com mestrado em Urbanismo, pela Escola de Arquitetura da Universidade Federal da Bahia, é considerado pela crítica como um pioneiro da arte contemporânea da Bahia. Participou de importantes mostras nacionais e internacionais como Bienal de São Paulo.
SERVIÇO
EXPOSIÇÃO ALMANDRADE
Conjunto Cultural Caixa
Rua Carlos Gomes, 57, Centro - Salvador - Bahia
Tel.: (71) 3322-0219/0228
Terça a domingo, das 9h às 18h.
De 5 de novembro até 20 de dezembro de 2009.