Arteum - Sua revista eletrônica de Arte e Cultura
Arquitetura
Você está em: HomeArquitetura › Neste ano a Torre Eiffel completa 120 anos
Tamanho do texto: Texto Pequeno| Texto Médio| Texto Grande
26/Outubro/2009
Neste ano a Torre Eiffel completa 120 anos
Foto: Acervo
Neste ano a Torre Eiffel completa 120 anos
Muitas visitas à Torre ocorrem durante todo o ano

O evento foi o ponto alto da Exposição Universal de Paris de 1889, data em que se comemorava o centenário da Revolução Francesa

Obvious

Ao longo de todo o século XIX as exposições universais foram o principal veículo de propaganda da sociedade industrializada ocidental, montras de tecnologia de ponta onde cada país exibia os seus mais recentes produtos. Gustave Eiffel era, na época, um construtor bem sucedido. Possuía obras importantes em todo o mundo: pontes e viadutos em França, diversas pontes ferroviárias em Portugal e Espanha, a estrutura que sustentava a Estátua da Liberdade, em Nova Iorque, as comportas do canal do Panamá e as menos conhecidas pontes portáteis que ainda hoje atravessam muitos rios, nomeadamente na América do Sul. Este prestígio e a sólida situação financeira da empresa foram sem dúvida decisivos na escolha do seu projeto para a Exposição Universal. O mais curioso é que Eiffel não se interessou pela ideia desde o início.

A ideia era erguer uma construção com mais de mil pés de altura, o equivalente a cerca de 300 metros, um empreendimento bem à medida do orgulho nacional francês. Mas foi preciso os principais técnicos da empresa elaborarem os primeiros estudos de viabilidade para que Eiffel percebesse que afinal poderia tornar-se o autor do edifício mais alto do mundo. É justo que se saiba que o projeto da torre foi tanto seu como dos engenheiros Emile Nougier e Maurice Koechlin e do arquiteto Stephen Sauvestre. A partir daqui a tarefa mais difícil não era técnica, era política: convencer as autoridades. Lançou mão de todo o prestígio da empresa e promoveu uma vasta campanha destinada a convencer a administração parisiense das vantagens que tal obra iria trazer. Após muita insistência e muito investimento financeiro acabou por conseguir o seu objetivo e ver a bandeira francesa hasteada a 300 metros de altura mas os problemas ainda mal tinham começado.

Um movimento de personalidades da arte e da cultura desde logo se ergueu, exigindo a demolição pura e simples da torre, que consideravam um atentado ao bom gosto. Não conseguiram, uma vez que as taxas cobradas aos visitantes da torre geravam grandes receitas de que a municipalidade não queria abdicar. Mais tarde, quando a concessão de 20 anos do terreno para a exposição terminou, os críticos viram nova oportunidade para exigir a sua demolição. Eiffel recorreu de novo à sua influência e persuasão e convenceu as autoridades que Paris tinha grande necessidade de uma torre de comunicações, de um gabinete meteorológico e de uma escola de estudos aerodinâmicos. Conseguiu assim manter de pé a sua obra.

Não se julgue que estes argumentos apareceram por acaso. Eiffel tinha uma mente aberta. Dedicou-se também ao estudo do vento e publicou inclusivamente vários trabalhos sobre aerodinâmica que trouxeram importantes contribuições para esta ciência. Concebeu um aeroplano e um túnel de vento onde foram testados os protótipos franceses durante muitos anos. Menos conhecido é um projeto para um túnel sobre o Canal da Mancha, datado de 1890. Paris e o mundo ganharam uma torre magnífica, é certo, mas talvez tenha perdido sabe-se lá que outras construções fantásticas que este indivíduo ímpar era capaz de conceber e erguer. Morreu em 1923, aos 89 anos de idade.